Ciúme demais: corro o risco de perder meu parceiro?

Autora

Giorgia Matos

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Você sabia disso? Que o medo de perder o parceiro acaba fazendo com que ele se afaste? Pior que essa é a pura realidade.

Augusto Cury foi muito feliz nesse tema, pois aborda um erro comum que pessoas ciumentas cometem achando que estão firmando a relação.

Ele diz uma frase bem interessante: “Quem tem ciúmes é especialista em filme de terror”.

Ou seja, com o medo de perder você aprisiona o amado, cobra em demasia, faz inúmeras exigências, pressiona e quer ficar junto o tempo todo, sem dar espaço.

 E isso esgota a relação, ou seja, você faz tudo que não deveria fazer.

O amor liberta, não aprisiona.

Ter ciúme em excesso prejudica a relação?

Casal discutindo, namorada ciumenta

Se você leu outros artigos neste blog, deve ter visto a insistência nessa questão: ter ciúme em excesso é um tiro no pé. Essas atitudes de fiscalizar, aprisionar, ter um medo extremo de perder a pessoa amada, são, como diz Augusto Cury, um meio de acelerar a perda.

Mais uma vez: quem ama liberta, não aprisiona. Seu companheiro tem que estar com você porque quer, porque gostou do seu lindo sorriso, do seu caminhado, de sua conversa e até do seu jeito desajeitado de se maquiar. Mas não porque você impõe.

Nós já vivemos uma vida cheia de imposições da sociedade, cobranças no trabalho, provas da faculdade, contas para pagar, prazos…. São tantas as exigências…

Estamos sempre nessa correria, cheias de obrigações. Não devemos acrescentar outra obrigação na vida de alguém, e sim torná-la mais leve e feliz. Nada de cobranças.

Sem falar que sentir ciúme doentio é violência contra si mesma. Isso causa enxaqueca, gastrite, doenças de pele e tantas outras manifestações psicossomáticas, tudo por causa da angústia que esse sentimento traz.

Lembre-se, o que você pensa e sente se manifesta em seu corpo. Cuide-se mentalmente e sua saúde agradece.

Perder o namorado por causa do ciúme?

Veja esse episódio que ocorreu com duas pessoas do meu convívio que me autorizaram a relatar o fato. Claro, contanto que eu criasse um pseudônimo para eles e alterasse um pouquinho o ambiente e outros aspectos.

É só para você ter uma ideia de como o medo de perder acelera a perda. Quer saber como funciona? Escuta essa:

“Berta passou em um concurso e foi morar no interior até conseguir a remoção. Seu namorado Luiz continuou na capital pois seu emprego era privado e não teria como ele transferir para o interior pois não havia filial na cidade e não tinha como pedir demissão para acompanhar Berta, pois esse era seu único meio de renda.

 A mudança foi tranquila e ela estava muito empolgada com seu emprego público, era seu sonho e ela aspirava muito por conseguir essa aprovação.

Os primeiros meses foram bem tranquilos, ela trabalhava o dia todo e a noite ligava por alguns instantes para Luiz. No tempo não havia WhatsApp e as ligações custavam caro.

Até certa noite, Berta, que já demonstrava sinais sutis de ciúme, ligou para Luiz e não conseguiu encontrá-lo em casa, pois ela sempre ligava para o fixo para ter a certeza que ele estaria em casa. Nem o encontrou no celular que dava sinais de ocupado ou estava desligado.

Berta já histérica não sabia o que fazer. Se pegava o primeiro ônibus ou ligava para todos os amigos de Luiz, correndo o risco de se passar por louca.

Ficou furiosamente aguardando ao lado do telefone pois uma hora ele teria que voltar para casa e ela estava aguardando para ouvir a explicação.

Luiz, depois de 3 horas chegou em casa e ligou para Berta, como de costume. Mal sabia ele que Berta numa altura dessas já estaria completamente transtornada a ponto de enlouquecer.

Ela já havia quebrado o perfume que ele lhe deu de aniversário e havia rasgado um livro de romance também presente dele.

Assim que ela atendeu ao telefone já teceu vários desaforos e xingamentos que daria para escutar da esquina.

Luiz, pasmo com tal atitude, pois jamais esperaria isso da mulher que ama, explicou, quando ela parou de gritar, que estava no hospital internado tomando soro e remédios por conta de uma crise de gastrite violenta que ele foi acometido de repente.

Ele falou a ela que está com o braço ainda com a cicatriz do soro e com a requisição da medicação. E se ainda quisesse mais provas ela veria no sistema do seu plano de saúde a entrada dada no hospital.

Foi quando Berta chorou muito, por toda a raiva desnecessária que passou, implorou por desculpas e prometeu que nunca mais duvidaria de Luiz.

Luiz, no entanto, não aceitou seus pedidos de desculpas pois achou um absurdo esse tipo de atitude, disse que nunca havia passado por isso e que não passaria por isso novamente.

Disse que estava perplexo e com um certo medo das atitudes dela.

Terminou o relacionamento e Berta só pode mesmo lamentar e aprender com isso a dominar seus impulsos doentios. ”

E aí com o rompimento o mundo desaba, né? Não mesmo. Você cresce, aprende e amadurece.

Espere passar o “luto”. Isso é normal. Mas depois sua rotina se restabelece e você estará pronta para outros romances. E, dessa vez, com certeza, mais madura.

 (Retirado do livro: Ciúme Patológico, Passando dos Limites)

Por que tenho tanto ciúme?

Mulher triste pensando na causa de seu ciúme

Uma coisa a ser falada sobre a carência afetiva: Este é um dos problemas mais enfatizados no livro Ciúme Patológico, Passando dos Limites, porque se você não teve suas necessidades básicas de amor e afeto atendidas em outros momentos de sua vida, ou seja, na infância e na adolescência, você fica com uma autoestima e autoconfiança muito rebaixada.

Aí o que acontece? Você sufoca o parceiro com esse pedido de atenção extrema e constante, não vividos anteriormente.

Na psicanálise aprendemos isso: se não passamos pelas fases da vida no momento certo, elas vêm à tona em outro momento, cobrando para serem vividas.

E se ele não der essa atenção que você implora, a cobrança e o ciúme entram em cena, causando grande angústia.

O seu ciúme patológico não é, em absoluto, restrito à carência afetiva, nem à omissão de cuidados básicos infantis, nem a maus tratos, etc. Mas estas são, sim, fortes prováveis causas.

Há outros aspectos também relevantes a serem investigados. Eles estão sendo abordados em outros artigos, mas aqui o foco do tema hoje é o medo da perda, que, por sinal é bastante evidente em você, ciumenta. Aliás, nas ciumentas em geral.

Peço licença a Augusto Cury para concluir com uma frase sua:

O amor nasce no solo da liberdade e cresce no terreno da confiabilidade… quanto mais se pressiona, mais o outro se afasta, pois, a relação deixa de ser regada ao prazer e passa a ser dirigida pelo estresse

Liberte-se e liberte seu companheiro. Prendê-lo não vai torná-lo seu.

Siga-me no Instagran: @giorgiamatos, @psi_em_topicos


por

Giorgia Matos

09/08/2017

3

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  1. Só encontro abordagem da ciumenta, mas muito pouco do ciumento, pois eu sou muito ciumento e desconfiado e estou vendo o meu casamento de 21 anos se acabar, o que faço??

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