Mecanismos de Defesa do Ego (Freud) — Giorgia Matos Psicanalista
Mecanismos de defesa do ego (Freud) por Giorgia Matos Psicanalista

Mecanismos de Defesa do Ego (Freud)

Mecanismos de Defesa do Ego são meios que seu inconsciente usa para mascarar a realidade, ou seja, são mecanismos usados para abrandar alguma dor. Ele te protege da frustração e dos conflitos mentais.

São meios de você lidar com seus conflitos mentais inconscientes, que levam você a sentir angústia.

Sendo assim, agem protegendo a integridade do Ego. É uma proteção essencial à sua mente diante da angústia que alguns pensamentos ou sentimentos provocam. Eles são importantes porque protegem sua realidade.

Freud iniciou os estudos sobre os mecanismos de defesa mas quem se envolveu a fundo foi Anna Freud, que inclusive sistematizou em um livro: O Ego e os Mecanismos de Defesa.

A seguir, entenda cada um dos mecanismos:

Formação Reativa

Usamos a formação reativa quando falamos e demonstramos o oposto do que estamos sentindo, o oposto do desejo real.

É quando você fala alguma coisa e está sentindo exatamente o contrário. Ou seja, você substitui pensamentos e comportamentos pelo seu oposto.

Pessoas que utilizam de forma constante esse mecanismo tem a tendência a serem muito neuróticas, porque vivem constantemente em conflito mental.

Um bom exemplo é quando você trata exageradamente bem uma pessoa que, na realidade, você não gosta.

Outro exemplo é de um homofóbico, que critica exageradamente os homossexuais, quando na verdade ele tem uma inclinação à homossexualidade.

Ou quando você diz que não está sofrendo com o término de um namoro.

A pessoa simula um comportamento. Isso a nível inconsciente. Porque se for a nível consciente, não se trata de formação reativa.

É falsidade, hipocrisia ou qualquer outra coisa. Menos formação reativa.

Na formação reativa o impulso é inconsciente e é reprimido, e o exagero da negação é justamente para manter o impulso reprimido, para ele não vir à tona.

Você tenta esconder algo que sente (talvez por acreditar ser inaceitável, vergonhoso ou repudiado), tendo comportamentos opostos ao sentimento real.

Geralmente as pessoas que utilizam desse mecanismo de defesa tem feridas bem profundas, tem conflitos mentais inconscientes, talvez traumas infantis, o que elas vivenciaram ou escutaram.

E essas causas precisam ser investigadas. Com certeza isso não está fazendo bem a elas.

É importante que você suspeite de todo comportamento exagerado. Eles nem sempre são reais.

Projeção

Nesse mecanismo de Defesa do Ego você projeta no outro a vontade que você mesmo tem de fazer alguma coisa.

Quem mente acha que todo mundo está mentindo.

Quem pensa em trair acha que todo mundo trai.

Você não consegue lidar com esse sentimento, então projeta no outro sua própria vontade.

Atribui a outra pessoa o que você mesmo pensa de si.

São sentimentos que saem de dentro de você e são projetados no outro, como se fosse o outro que sentisse. E você não tem consciência disso.

Inclusive no livro “Ciúme Patológico, passando dos limites” podemos encontrar a explicação sobre o ciúme projetado conceituado por Sigmund Freud.

O ciúme projetado é quando você acusa seu parceiro de estar sendo infiel ou ter inclinações à infidelidade, quando na verdade você mesmo é o real dono desses sentimentos.

Ou seja, você acusa seu parceiro de olhar para outra pessoa e possuir desejo por ela, quando você é que tem desejos sexuais fora do relacionamento.

Negação

Aqui você nega para se proteger. Você nega uma situação penosa. Você não aceita um fato e diz: “não foi bem assim…”

Esse mecanismo está na primeira etapa do luto. Por exemplo: você nega que a pessoa tenha falecido, para se proteger da dor. Você não aceita.

E até ter passado por todas as etapas do luto, até sua elaboração, você ainda convive um bom tempo na negação.

Esse mecanismo de defesa é muito comum e bastante utilizado pelas crianças. Elas constantemente fazem algo errado e negam, para não serem castigadas.

Encontramos também a negação em pessoas que não admitem estar doentes.

O médico dá seu diagnóstico e ela o contesta, dizendo que não é esse o problema. E ela realmente acredita não estar acometida por aquela doença.

No entanto todos os exames apontam para aquele diagnóstico.

Racionalização

É o processo em que alguém atribui pensamentos lógicos e aceitáveis a sentimentos e ações não tão aceitáveis assim. Ou até mesmo inaceitáveis.

Aqui se racionaliza, ou seja, dá-se uma explicação supostamente lógica a ele.

Você tenta provar que está certo, apresenta uma explicação plausível, pautada na ética, para uma atitude, digamos, inaceitável.

É a busca de uma explicação lógica para algum fato obscuro.

Nesse caso o superego está atuante, cobrando. Aí, para se dar uma explicação ética, são manipulados, inconscientemente, os motivos dessa atitude, para que ela se torne aceitável.

Deslocamento

Você desloca um sentimento ameaçador que sofreu para uma ação em outra pessoa ou coisa.

Descarrega sua raiva para um objeto mais fraco.

O mecanismo de defesa do deslocamento é quando, por exemplo, seu chefe te trata mal no trabalho e você chega em casa e descarrega a raiva em sua esposa ou filhos.

Como você não pode devolver a hostilidade em seu chefe, pois isso acarretaria na perda do emprego, ou perseguição, ou algo do tipo, você desloca para outro objeto.

O objeto em psicanálise pode ser uma pessoa, um animal, ou até mesmo um objeto, de fato.

Regressão

É quando você regride para uma fase anterior de sua vida, uma fase infantil, onde se sentia seguro. É uma maneira de reduzir a angústia diante de algum momento ruim que esteja passando.

É um retorno no desenvolvimento normal, onde se alivia a tensão retornando a um certo comportamento de quando se era criança e se sentia seguro.

É considerado um mecanismo de defesa primitivo, porque a fonte de tensão não acaba, só diminui.

Aqui é o caso do fumante compulsivo. No momento em que ele está angustiado, nervoso, preocupado, ele regride a uma fase de desenvolvimento anterior, em que se sentia protegido.

No caso do fumante, ele regride à fase oral. Se sente protegido, como no tempo em que sugava o seio da mãe, a mamadeira ou chupeta.

Mas essa atitude de regredir a uma fase anterior do desenvolvimento só alivia a tensão. Não resolve o problema, pois não resolve a causa da angústia.

Por isso o fumante sempre volta a fumar outro e mais outro cigarro, sempre em busca do seio da mãe para se sentir confortável e livre da tensão.

Sublimação

Na sublimação há a angústia por um sentimento que você não consegue lidar, como: desejos sexuais ou agressivos. Nesse caso, faz-se algo produtivo em substituição ao seu desejo inicial.

Você muda o foco para atividades artísticas, culturais ou intelectuais.

Quando você sublima, transforma um impulso sexual ou agressivo em algo aceitável.

É a transformação das emoções que estão causando conflito, em algo bom.

Explicando com exemplos:

  1. Uma mulher frustrada em seus desejos sexuais, por não ter um casamento muito aberto a diálogos e não poder conversar sobre seus sentimentos e desejos com o marido. Ela vai fazer algo criativo, que substitua aquele desejo.
    Ela canaliza aquela energia para outro fim: resolve virar musicista, tocar piano, flauta, bateria ou  qualquer outro instrumento. Ou decide pintar quadros ou aprender hebraico, mandarim. Alguma coisa que tire o foco.
    É uma forma de sublimar seu desejo. É um tipo de substituição onde o substituto é algo cultural ou intelectual.
  2. Quando você faz um esporte de luta, pode estar sublimando a vontade de agredir alguém para algo socialmente aceitável.
  3. Um médico pode sublimar sua vontade de ferir pessoas, salvando vidas, fazendo cirurgias.
  4. Outro exemplo: uma pessoa que canaliza seus desejos sexuais para algo religioso. E viverá em função da igreja, doações e tudo em seu entorno.

Podem ocorrer muitos desejos sexuais insatisfeitos, e toda essa frustração você transforma em arte.

Há um desvio do impulso inapropriado para outro fim, que descarrega o impulso de uma forma mais eficaz, sem deixar sofrimento na pessoa.

Na sublimação o inconsciente lida com as aspirações do ID e a pressão do Superego. O Ego satisfaz o ID, sem ir de encontro ao Superego.

Como?

Fazendo que aquela aspiração seja gratificada de outra forma, através de algo aceitável, útil, sociável, criativo. E na sublimação o inconsciente aceita de bom grado o substituto.

Essa energia libidinal sublimada reduz o desejo anterior. Ela elimina a tensão.

Na psicanálise ela é tida como o único mecanismo de defesa realmente eficaz, porque é bem sucedido tanto para a pessoa como para a sociedade.

E, acima de tudo, é útil e construtivo, porque transforma um ato tido como prejudicial em algo benéfico.

Repressão

Consiste em manter algo que cause angústia para distante do consciente. Então é reprimido, mandado para o esquecimento, para o inconsciente.

Mas ele não deixa de fazer mal, porque a energia está lá, circulando, esperando a oportunidade de escapar.

Aí é onde aparecem as neuroses. Dos sentimentos reprimidos. Foi tirado do consciente e mandado para o inconsciente para ele não causar dor, mas ele está lá, latente.

Você conscientemente não sabe dele mas ele é pura energia. E essa energia influencia em o tudo que se está sentindo hoje.

Os sintomas neuróticos são originados da repressão, ou seja, as doenças psicossomáticas são frutos dos desejos, sentimentos ou pensamentos que foram reprimidos.

Então tornam-se: impotência, asma, úlcera…

E você nem imagina de onde vieram.

Isolamento

No mecanismo de defesa do isolamento separamos o fato do afeto, ou seja, separamos o fato ocorrido do sentimento ligado a ele.

Funciona da seguinte forma:

Quando acontece algo que deveria causar alguma dor ou constrangimento, o inconsciente faz com que não sintamos nada naquele momento.

Mas o fato ocorreu e ele é normalmente sentido como penoso.

Mas, para não haver o sofrimento naquele exato momento, o inconsciente o isola. Manda para o esquecimento temporário.

No isolamento, o fato ocorrido e que deveria causar a angústia está lá, porque ele é pura energia e essa energia circula em busca de saída.

Ela vai escapar de alguma forma: seja como uma fobia, uma dor conversiva ou um ciúme exagerado.

É o caso da moça que foi traída pelo marido há seis meses. Ela descobre e não demonstra nenhuma reação, como se ela não estivesse sofrendo.

De fato, naquele momento ela não sofreu. O inconsciente isolou o fato, tamanha seria a dor se ele não o fizesse.

O que acontece é que aquela dor existe, é real.

E ela vai ser canalizada mais adiante para alguma atitude que a moça apresentará, como por exemplo: ela pode apresentar um medo súbito de barata, borboleta, formiga.

Ou pode parar de nadar porque passou a ter medo de água.

No isolamento tiramos, inconscientemente, o fato angustiante do foco atual. Mas essa energia, um dia, retornará em diversas outras atitudes.

Resumindo Mecanismos de Defesa do Ego

Você viu aqui os principais mecanismos de defesa do ego. São meios que seu inconsciente utiliza para evitar que você sofra com a realidade de algo que possa não te fazer tanto bem.

Na repressão, você manda um sentimento para o inconsciente;

Na negação, você nega uma realidade;

Na racionalização, você dá uma nova roupagem à uma ação;

A formação reativa inverte a realidade: diz uma coisa querendo dizer outra;

Na projeção, você projeta no outro algo que é seu;

O isolamento separa o fato do afeto;

Na regressão, você volta a um estágio anterior do crescimento.

Para mais informações sobre Mecanismos de Defesa do Ego, Interpretação dos Sonhos, Histeria de Conversão e vários outros assuntos relacionados à psicanálise, veja os outros artigos do blog ou pelo meu canal no YouTube.

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